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by Xpressão Lírica

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released July 7, 2017

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Xpressão Lírica Portugal

Formed in September, 2016, Xpressão Lírica is a Nu Metal / Rapcore band with very sharp lyrics and hard instrumentals.
«Artifacts» was released in March, 31, 2017. This album is currently available at FNAC and at the band's official website www.alternativamusic.com. Xpressão Lírica made his first international performance at Luxembourg in June,10, 2017.
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Track Name: O Globo
É o ano da besta 2666,
Presidentes assassinados, envenenados reis,
Guerra santa, ou guerra económica?
Chamada telefónica detona a bomba atómica.
Mães cristãs, muçulmanas,
Choram milhares de vidas humanas,
O globo mergulhou num caos que só visto,
O presidente da potência é o próprio anti-cristo.
Visões apocalípticas, febres atípicas,
Mudanças cíclicas, sísmicas no meio de guerras químicas,
Nesta terra que te soterra de guerra,
Os dentes te ferra, cabeças caem pela espada que serra.
Media sempre atenta, o mundo comenta e lamenta,
Um avião que rebenta e faz explodir o Trade Center,
Sem bombas desarmamos, atacamos veteranos,
Gritamos: fuck Nostradamus e venham lá mais mil anos!

Refrão:
Não há sinal de paz nem quando passa uma pomba,
Para seres um mártir tens que ser uma bomba,
Nascemos, crescemos e esperamos morrer,
Eu pergunto se é este o mundo que escolhemos para viver.
Diz-me quanto tempo mais vamos,
Envenenar o solo que pisamos, o ar que respiramos,
Quantos mais anos derramamos crude e matamos,
A vida nos oceanos, manos?

É tudo mais bonito quando tudo é mais falso,
Caminho sobre brasas e vidros descalço,
O interesse trás com ele um falso parceiro,
Amizades e casamentos giram à volta do dinheiro.
Não interessa o que fazes, mas sim os teus bens,
Não vêem o que és, pois só vêem o que tens,
Fora do eixo, o mundo gira ao contrário,
O sangue pinga da caneta de um poeta solitário.
Sinto o cheiro da morte em cada campo de batalha,
Seres humanos caem ao som do tiro da metralha,
Não peçam paz, enquanto sentem ganância,
Entre o dizer e o fazer há uma enorme distância.
Querem-me obrigar a abandonar o meu sonho,
A cagar nos sentimentos de coração mais duro,
Depois de milénios, tantos séculos e anos,
Eu penso... até que ponto chegamos?

Refrão
Track Name: Return To The Middle Ages
Quando acordei já não sabia onde estava,
O inferno subiu á terra enquanto ela descansava,
O nosso globo é agora um autêntico poço de mágoa,
Já estalaram os conflitos pela posse da água.
Para matar a sede os governos vão á guerra,
Ovnis! Sejam bem-vindos ao inferno na Terra,
Não há países, bandeiras e nem fronteiras,
Quase todos os homens marcham agora em fileiras.
Cada país foi ocupado pelo país vizinho,
Multiplicou-se pelo mundo o fenómeno El Niño,
Qualquer polícia é formada por robocops,
Porque todos os criminosos tornaram-se cyborgs.
Prisões lotadas, o crime domina cada nação,
E não há vulcão que não tenha entrado em erupção,
Cada igreja por dia com a fé, factura um milhão,
Não para caridade mas para pura ostentação.

Refrão X2:
I see a devilish world,
Where Satan takes every soul,
I see human beings in cages,
We return to the middle ages.

Não há vacinas nem há fonte de saúde,
Alimentação são cápsulas ou fast food,
Nova peste de pragas e ninguém impede-a,
De nos transportar de novo para a idade média.
É apocalíptico este sofrimento lento,
Avançámos tanto que regredimos no tempo,
Animais e seres humanos já não são como antes,
Guerras biológicas transformaram-nos em mutantes.
O globo aquece e congela, não há temperatura amena,
E a cor cinzenta cobre a cor azul do planeta,
Há cada vez menos parcelas de terra habitável,
Sobe o nível da água salgada e não há água potável.
Iniciámos várias guerras das estrelas em série,
Numa odisseia espacial para preservar a nossa espécie,
O nosso chão abala-se, a voz da Terra cala-se,
Não vivas com tanta calma porque um dia o mundo acaba-se.

Refrão X2
Track Name: The Two Faces Of Drugs
Refrão:
You know drugs destroy lives,
And it's not only yours,
You have friends and family,
Why keep living under this curse?

Olá como estás? Queres vir comigo?
Ninguém precisa saber e se não disseres eu não digo,
Tenho coisas para ti que te posso oferecer aos molhos,
É mais bonito se vires o teu mundo pelos meus olhos.
Porque eu não vejo problemas, frustração e dilemas,
E preocupações para mim são apenas coisas pequenas,
Não me queiras deixar, eu imploro-te, fica!
Estás comigo nos melhores momentos da tua vida.
Dou-te aquela sensação que estavas á procura,
E aquela paz de espírito que não passa, mas dura,
Quando estiver contigo, faço-te sentir como novo,
Substituo todas as pessoas que existem no globo.
Tenho tudo o que precisas para te fazer viver,
Já não precisas de dormir, trabalhar e comer,
Faço tudo o que não faz o melhor medicamento,
Podes-me injectar, cheirar, ou só levar a dentro.

Refrão

Tenho uma nova fase completamente diferente,
Subtilmente deixo-te cada vez mais dependente,
O céu irá cair-te em cima e o teu chão estremecer,
Quando sentires em ti que eu deixei de bater.
Não sabias que alojaste um parceiro simbiótico?
Que a polícia persegue porque sou psicotrópico?
Caminhamos os dois lentamente para o fim,
Viciei-te ao ponto de não poderes viver sem mim.
Roubei-te o amor próprio e a motivação para tudo,
Tirei-te o estado sóbrio quando quiseste dar-me um chuto,
Esvaziei em ti sonhos e objectivos,
Desleixei a tua imagem e afastei os teus amigos.
Desde o início que te quero apresentar alguém,
Uma amiga minha que vem das terras do além,
Está a chegar e agora já não me intrometo,
Ela trás uma foice e vem sempre de preto.

Refrão
Track Name: Se Eu Morresse Agora
Lavo as mãos deste mundo que me suja a minha alma,
E me corrompe a mente enraivecendo a minha calma,
Tirando-me do sério, me tornando negativo,
Deixando à solta todo o meu instinto vingativo.
O meu lado negro, ocupa-se de mim próprio,
Possuindo o meu eu, não me sinto sóbrio,
Faço uma viagem que eu não quero fazer,
Numa noite sem lua, que não tem amanhecer.
Vejo caras de pessoas que me humilharam,
Porque tiveram sonhos e não se concretizaram,
Sinto em mim a soma de todos os medos,
E todos os meus sonhos a escaparem-se pelos dedos.
É como não sair a maquete da gaveta,
Escrever e secar a tinta da minha caneta,
Já me vi a mim mesmo na cova da minha urna,
Eu quero e vou sair desta solidão nocturna.

Refrão:
Se eu morresse agora voltaria para emendar o meu destino,
Se eu morresse agora voltaria e completava o meu caminho.

Numa noite clara com a lua e a sua aura,
Despeço-me da família e da minha pequena Laura,
Sem nada a perder, não me perguntes porquê,
Mando para a rua os álbuns escondidos no meu pc.
Ponho na caixa do correio dos que me amam e odeiam,
A minha morte lamentam e outros anseiam,
Lamentar o que não fiz, agora não adianta,
Mas posso assombrar quem cuspir na minha campa.
Minutos contados e o relógio não pára,
Brevemente fechar-se-ão os olhos da minha cara,
Tenho ódio de tudo o que me atrasou a vida,
E de não sentir o gosto de escrever mais uma rima.
Contente em saber que a minha boca não se cerra,
Mesmo quando estiver debaixo de sete palmos de terra,
O meu corpo está dormente, a minha tensão já não se mede,
O meu pulmão já não respira e a minha caneta já não escreve.

Refrão

Se eu morresse agora e fosse esta a minha hora,
Voltaria porque eu não posso ir-me embora,
Vejo de cima parentes e amigos no velório,
Queimo uma com o Tupac quando passo no purgatório.
Piso as nuvens, finalmente conheço Deus,
Parece que estou vivo, encontrei amigos meus,
Fico contente em saber que a minha boca não se cerra,
Mesmo quando estiver debaixo de sete palmos de terra.
Olho para tudo o que fiz, e deixei para trás,
Arrependo-me de erros e do que não fui capaz,
Quem me dera ter mais um minuto ou segundo,
Pegar no microfone e poder mudar o mundo,
Fazê-lo um pouco mais leal e sincero,
Tornar sonhos reais e dizer o que quero,
Sabes... eu vou mas é ressuscitar,
Porque eu não posso deixar a minha mensagem por espalhar.

Refrão
Track Name: Dramas Urbanos
Nestas ruas vazias, entre paredes frias,
Vejo dramas urbanos nestas noites e dias,
Realidades diversas na mesma sociedade,
Ninguém sabe metade do que esconde a cidade.
É da janela do castelo que faço o meu levantamento,
É nas ruas que eu piso que o vejo por dentro,
Quotidiano citadino que surge de madrugada,
Em que as vidas são cruzadas pelas pedras da calçada.
Viram-se bolsos do avesso por quem tem mais posses,
Pelas mãos de putos que andam a roubar para bosses,
Sem esperança na vida, completamente desorientados,
Vivem o momento deixando carros abandonados.
Traem-se por fezadas e por mais aquela grama,
Trocam de telemóvel sete dias por semana,
Não há governo para este povo, nem Jesus Cristo,
Emigrantes ilegais continuam à espera do visto.

Refrão X2:
Bem-vindo à crise social num Estado que é hostil,
Vivemos lei marcial num clima de guerra civil,
Assistimos à ascensão do Armagedão,
Esta é a degradação da nossa urbanização.

Polícia usa e abusa da farda e do cacetete,
Fumam-te a erva e levam-te as mortalhas da sweat,
Deixam o peso da coronha da caçadeira que exibem,
Prendem inocentes quando os culpados se riem.
O que é que faz a bófia à erva, chamon e coca?
Afinal quem é que domina o tráfico de droga?
Droga apreendida pela polícia corrupta,
Que passadas umas horas devolve a droga à rua.
Drogados chutados entre botes estacionados,
Maus tratos praticados atrás de vidros embaciados,
Mulheres são violadas sem pedir socorro,
Ouço gritos misturados com o soluçar do choro.
Pobres estendem a mão com o frio nos ossos,
Por uns trocos que apaguem a tristeza nos rostos,
Câmaras municipais endividam-se em desafios,
Como estádios inacabados para ficarem vazios.

Refrão X2

Tanto problema, tanta coisa por resolver,
Atrás de uma falsa imagem que só serve para esconder,
Centros comerciais são empreendimento garantido,
Vejo isso como uma ofensa para quem é sem-abrigo.
Centros de emprego são centros de filas paradas,
Vê-se no crime a solução para contas atrasadas,
Traficantes recrutados para a rua louca,
Primeiro chapas de chamon e depois riscos de coca.
Aumenta o índice de assaltos e os carros arrumados,
Vão chovendo trocos no meio de seringas e charros,
Cada faca no pescoço, cada glock na cabeça,
Mais uma maca que entra no serviço de urgência.
Paciência já não tenho, e não existe sorte,
Quando IPs e ICs são estradas para a morte,
São as pedras da calçada, destas ruas nestes anos,
À sombra do meu castelo estão os dramas urbanos.

Refrão X2
Track Name: Humanidade Desumana
Dá-me a chave desta porta que não se abre,
Chega de notícias de cabeças degoladas pelo sabre,
Vivemos o século da desordem, já começou o saque,
Morrem mais civis nas ruas do que tropas no Iraque.
Guerra do petróleo e não guerra ao terrorismo,
Tio Sam diz democracia, para mim é capitalismo,
11 de setembro, atentado ou conspiração?
Se eu tivesse o que ele tem curava a SIDA como constipação.
Armaram o Daesh, estão se a queixar de quê?
Iludem a humanidade cada vez que aparecem na tv,
Estamos no meio da fantuchada, mas será que é preciso?
Porque é que a Eva expulsou o Adão do paraíso?
Nova estirpe de doenças, mundo doentio,
Bombas falham alvos, refugiados que ninguém viu,
Serão apenas meros erros de cálculo matemático?
Ou será que o Apocalipse vem num vírus informático?

Refrão:
Humanidade Desumana, é onde nós vivemos,
Nem com os erros do passado melhoramos e aprendemos,
Continuamos no mesmo, fazemos mal em vez de bem,
Ao planeta que me ensina a não confiar em ninguém.
É o eclipse total quando a noite dominar o dia,
Com mais drogas, armas, casinos e mais pornografia,
Humanidade desumana, neste mundo corrompido,
Qual o sentido da vida nesta vida sem sentido?

Em quem acreditamos, Buda, Alá ou Jesus Cristo?
Se o inferno existe mesmo não deve ser pior do que isto,
Ódio, aniquilação, inveja, ganância, traição,
Nós apertamos o botão da nossa própria detonação.
Cercados pelas chamas, abençoados pelo inferno,
Espero um raio de sol na minha noite de inverno,
Culpados catados com escutas e apanhados por vídeo,
Enquanto na minha rua aumenta a taxa de suicídio.
O que é que nos prende à vida quando a vida se desprende?
Não somos sinceros porque a verdade não rende,
Oiço mentiras tão bem feitas que reais parecem ser,
Eu vejo na cara das pessoas que estão fartas de viver.
E quanto mais o tempo passa depressa chegamos ao fim,
Não posso esconder a minha raiva que me faz escrever assim,
Anseio um mundo perfeito mas sei que o nunca vai ser,
Só posso tentar sobreviver enquanto espero morrer.

Refrão
Track Name: Desequilíbrio
Desequilíbrio na terra de D. Dinis,
Uns andam de mercedes, outros apanham o mobilis,
Infeliz é o rosto de um bairro esquecido,
Inocente e culpado pelo verdadeiro arguido.
O Estado que perde tempo em guerras de cartazes,
Ataques pessoais em vez de fazerem as pazes,
Votamos sem saber acreditar num partido,
Esquecemos que para vencer o povo tem que estar unido.
Eleições não resolvem nem trazem oportunidade,
Portugueses e estrangeiros na criminalidade,
Sabemos o Código, temos que o pôr em prática,
Peregrinos morrem antes de chegarem a Fátima.
No tempo em que o mundo é a esfera da roleta,
Confiança não existe, qualquer palavra é suspeita,
Sinto o peso do mundo nos ombros,
Quando vejo metade do meu planeta a ser reduzido a escombros.

Refrão:
É o governo do País que não oferece condições,
O nosso ordenado mínimo é contar os tostões,
Há tanta gente a endividar-se o ano inteiro,
É por isso que há mais Portugueses no estrangeiro.
Assistentes sociais a comerem sobras,
Professores licenciados a trabalharem nas obras,
Médicos licenciados na labuta dura,
E os nossos ministros não têm licenciatura.

Vivo num mundo que vive para foder o outro meio,
Pomos o próximo de lado para nos pormos em primeiro,
Não é por eu ter problemas na minha vista,
Eu vejo cada um de nós mais sozinho e egoísta.
Magoado com tudo e todos, afastado de tudo e todos,
Por causa dos adjectivos negativos que pomos,
E o que muita gente ainda não sabe no entanto,
Ter carro e casa não é ter guita no banco.
Portugal em crise e nós pensamos na despesa,
Telemóvel, gasolina, casa e comer na mesa,
Stressados e atarefados em busca dos ordenados,
Temos as atitudes e os pensamentos mais errados.
Por experiência própria vamos puxar pela tola,
Não aconselho ninguém a abandonar cedo a escola,
O crime não compensa, não vamos por esse atalho,
Embora apeteça mandar o mercado de trabalho para o caralho.

Refrão

Todos em particular e cada um no geral,
Vamos de vez contrariar o que sabemos que está mal,
Vamos agir e passar da conversa,
Nós vamos garantir que cumprimos a promessa.
Encarar cada dia com a nossa força de vontade,
Pôr em prática toda a nossa capacidade,
Vamos sair à rua para mexer os cordelinhos,
Porque os nossos problemas não se resolvem sozinhos.
Vamos motivar o cidadão para a formação,
Para que possa ganhar gosto de aprender uma profissão,
Eu falo por todos os jovens da minha cidade,
Não lhes falta talento, falta-lhes oportunidade.
Vamos mudar notícias e manchetes nos jornais,
Apoiados pelo Estado e câmaras municipais,
Tanto talento e capacidade escondida,
Afogada no meio de uma rotina deprimida.

Refrão
Track Name: Segregação Social
Da minha terra vou partir, vou deixar este sol exótico,
Europa é o destino acima deste trópico,
Meu pai e minha mãe têm os sacos aviados,
Vou deixar os meus amigos e a minha bola de trapos.
Prometeram-me uma casa, em vez de uma barraca,
Água canalizada, luz sem ser uma vela barata,
Ao mesmo tempo triste, ao mesmo tempo contente,
Espero que valha a pena mudar de continente.
Meu pai vai para as obras, minha mãe vai para as limpezas,
Mas a mim já não me iludem com falsas riquezas,
A mim só me resta a rua, ainda por cima a luz da lua,
Defendo a minha vida, portanto defende a tua.
Estou-me a cagar para a bófia, têm arma, eu também tenho,
Só preciso de uma morada para te afogar no banho,
Sou emigrante clandestino que anda a meter nojo,
Mandam-me para a minha terra, por mim era já hoje.

Refrão X2:
Segregação social, no bairro social,
Onde se desespera para pagar a renda mensal,
Há 25 de Dezembro, mas não há natal,
União Europeia, Portugal.

Sentado à janela de olhos virados para o gueto,
Mãos escuras, delicadas, entrançam-me o cabelo,
Dissipo fumo ao vento, um poema, vou escrevê-lo,
Rima surge atrás de rima tipo fios de novelo.
Pós-guerra do Ultramar, Cidade de Leiria,
Retornados alojados na periferia,
Quem diria um dia que haveria uma partida,
Começam a vida do zero, com zero na vida.
Ouço um chôro de uma criança enquanto se faz mais uma trança,
O pai foi condenado pela espada e a balança,
Deram-lhe duas opções, mas só teve uma,
Negaram-lhe o trabalho então fez vida de rua.
Em dias quentes, transpirados, dias de sol,
O campo de terra levanta pó com jogos de futebol,
Momentos alegres numa comunidade posta à parte,
Marginalizada e distanciada da cidade.

Refrão X2
Track Name: Invisual
Levanta-se com um sol que nada difere da lua,
Movimenta-se em casa como se estivesse na rua,
Não julga ninguém para aparência, é dos meus melhores ouvintes,
Tantas vezes sem apoio para realizar tarefas simples.
Tomar banho, vestir, calçar, fazer compras para cozinhar,
Efectuar pagamentos onde é obrigado a confiar,
Faz um esforço sobre-humano para os dias não serem maus,
Muitas vezes sem amparo ao subir e descer degraus.
No meio de formas cúbicas, cilíndricas e cónicas,
Enfrenta todo o tipo de barreiras arquitectónicas,
Bem como todo o tipo de barreiras emocionais,
Deseja sentir-se amado por pessoas e animais.
Em muitos casos sem poder contar com uma família,
A única companhia por vezes é um cão-guia,
Quando tudo o que mais quer é sentir-se na inclusão,
No meio de quem também tem olhos no seu coração.

Refrão:
Invisual,
Invisual.

Não há nada diferente, não há nada igual,
É este o mundo aos olhos de um invisual,
Viver privado da visão, por caminhos tacteados,
Ter os outros quatro sentidos bem mais apurados.
Reconhecer a noite, reconhecer o dia,
Criar na sua mente a mais bonita fotografia,
Sentir em si para que lado sopra o vento,
Usar apenas quatro sentidos no seu talento.
Reconhecer as caras das pessoas pelo tacto,
Reconhecer odores e perfumes com o olfacto,
Sentir o gosto do mundo inteiro no seu paladar,
Usar a audição na direcção do seu caminhar.
Não ver as máscaras das pessoas no dia-a-dia,
Imaginar para si o mundo tal e qual como queria,
Viver no escuro, mas sem viver com medos,
É sentir o braille nas pontas dos seus dedos.

Refrão
Track Name: Anjo & Demónio
Tenho um anjo e um demónio do meu lado,
Eu quero resistir mas eu sinto-me tentado,
E abancado, vejo o que o bules me deu,
Há quem não transpire e ganhe bem mais do que eu.
Meu, ando sempre na conta a contar o meu guito,
Quem me dera eu fosse mesmo um gajo rico,
Era bom acabar um décimo segundo,
Quem sabe as portas que me podia abrir no mundo?
Arrumar carros ao pé de casa não me parece,
Toda a rua já está controlada, então esquece,
Viro-me para o porno ou a droga, tanto faz,
Eu preciso de guita e se quero, sei que sou capaz.
Também posso traficar várias armas,
Contrabando, pirataria posso experimentar, mas,
Não controlo a concorrência que já existe,
Mas pelo meu dinheiro o meu demónio não desiste.

Refrão X2:
Don't fool yourself,
Don't fall into temptation,
Life is too short to end behind bars,
Stop living in frustration.

Saio à rua obcecado pelo dinheiro,
Quanto mais fizer agora, mais pesa o meu mealheiro,
Não sou criminoso, traficante, chulo ou ladrão,
Às vezes passa-me pela cabeça mas lembro-me da prisão.
Além disso o XL detesta ficar fechado,
E até tenho bué ideias para vendê-las no mercado,
Também faço uns biscates durante o dia como é óbvio,
Tenho patrão mas eu sou o patrão do meu escritório.
Às vezes apetece fazer apostas nos casinos,
Ou jogar à batota com os dados dos meninos,
Tento manter-me dentro das leis em Portugal,
O crime não compensa nem paga a segurança social.
Não tenho um curso superior nem nasci num berço de ouro,
Vou vender a minha voz e transpirar o meu couro,
Se eu não fizer isso, ter ordenado é tramado,
Porque ninguém quer dar trabalho a um cadastrado.

Refrão X2: